quarta-feira, 13 de julho de 2016

These feelings won't go away

Você já chorou por ter compreendido?

É um tipo de tristeza estranha porque, na verdade, é felicidade em forma de alívio.

domingo, 10 de julho de 2016

convide alguém a viver






Meu coração é uma pensão
simples mas confortável,
você pode morar nela
e atrasar o aluguel.


Eu não sou de cobrar nada, posso jurar se quiser.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Se Trouve




Se a gente pega 
tudo que é bicho que morde,
que acende, que estufa o peito 
batendo rápido o coração,
que arranha a mente 
e deixa aquela agonia
tal qual faz o barulho 
de garfo roçando 
em prato de porcelana 
com os ouvidos.
Tanto de movimento de pernas, 
olhos e pulsos
que tiram a vida de si, 
que só jogam o corpo na atmosfera,
porque afinal é preciso existir 
pra tentar sê-lo,só não sei o que.
A esperança é a única idéia 
de um futuro que não se apaga
mesmo de olhos fechados, 
cabeça vazia e coração dolorido.
Os olhos não precisam 
saltar das órbitas 
pra desencontrar de si mesmo,
basta entrar numa busca eterna 
pelo que não é seu mas devia,
ao menos parece que devia,
ao menos queria que fosse, 
quer que seja, será.
Quando os pés andam sós, 
se alimentam do vácuo
que passa nos instantes 
que eles se movimentam
zanzando no chão de terra, 
cimento, lama, asfalto
buscando por si 
aonde não se sabe onde quer achar.

Assim eu não me vejo. 
Assim eu não te vejo.
Parece a cegueira eterna 
de esticar os braços ao infinito.


E o infinito sou eu.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Onde se encontra a graça.



Na vida
danço como quem perdeu
vários ensaios.

Não tenho pressa em ir devagar
mas também não me dou conta do prazer da dança.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Diário de receitas



Regue suas plantas, molhe seus pés, corte suas folhas mortas, siga a luz do sol, aceite o tempo de brotar e o movimento dos bichos, adube seus silêncios para que, dessa forma, serenamente, recomece todo o ciclo.

domingo, 26 de abril de 2015

Preguiça distraída




Nos dias
em que a gente não tem
energia elétrica externa
mas a de dentro aparece
pra empurrar
os domingos pra frente.

Pra assobiar
a preguiça distraída
que aparece nas fotografias,
pra registrar
qualquer coisa assim à toa
qualquer canto assim bem tímido.

Pois então
nesses domingos
que eu penduro
o meu cansaço
finjo que sou de aço
e sopro os dias pro alto
com outros ares
que vêm do pulmão.


Em 15/06/13

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Bom dia.

Hoje sempre pode simbolizar
finis ou gênesis do teu mundo
à parte isso
segura num ímpeto
o segundo
que corre
enquanto escolhe.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Viroses e vantagens.



O melhor de ficar um pouco gripada e ter de permanecer em casa não é poder tomar chá a toda hora ou espiar a tevê enquanto trabalha, não é observar as variações do sol sobre o céu que vai cobrindo o fim da rua. O melhor é aquele momento em que o gato lhe escala desde os pés - uma tensão deliciosamente familiar - pedindo que você o aninhe em seus braços e então você o embala como a um bebê, e ele ronrona sem intervalos enquanto pede que você aproxime o rosto porque quer beijar, o beija à sua maneira, e se estica testando diferentes formas de permanecer confortável enquanto existe essa ligação, e você acha que tudo o mais é uma grande bobagem, porque experimentar um pacto como esse é só um pedaço do grande fluxo, um tipo de camaradagem, que instaura isso a que chamamos casa, isso a que chamamos alegria.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Inícios ou a desmistificação dos opostos.


Acrescento a figura real do pai na cozinha, fazendo sopa de letrinhas com cozido de frango e falando pelos cotovelos. O que jamais vi, presenciei ou permití antes. Sim, por si só, isso já tornaria minha segunda-feira no mínimo atípica, justamente por fazer uma das coisas que raramente faço: conversar com ele durante o almoço ou durante o curso da própria vida (talvez por incompatibilidade de pensamentos, gestos e a mania de evitar os tantos aborrecimentos já conhecidos, ou para simplificar, como mamãe diz: dois bicudos jamais se beijam). O que fica desse tempo bem aproveitado é a fotografia junto a conclusão igualmente simples e precisa:  não se deve seguir resistindo a certas aberturas ou tomar como absoluta a crença de que é repelente a diferença entre as pessoas, ainda é melhor saber escutar, saber não só da superfície mas do que vive no fundo, a fim de não cometer tolices, para que se possa falar mais tranquilo e sentir reciprocidade na tranquilidade das falas que saem, fazendo as pazes, em tempos muitos de permanente emburrecimento. Depois me veio a urgência de número dois, o dever de buscar encontrar o riso no tanto de siso que a vida impõe aguentar. Por aí se pode dizer que hoje arranquei os sisos, a anestesia me foi dada de graça, exatamente como essas felicidades que, por acaso, tornam dormente toda  bobagem que a gente costuma dizer quando cai com o olhar por cima do olho do outro e machuca, encarando o bicho da convivência como quem encara um inimigo de morte, como quem morre de raiva mas não mata, ao contrário, dá ainda mais vida na tentativa de ver melhorar, sem se dar conta.