sábado, 17 de maio de 2014

Constatações.




Acho precioso demais registrar as coisas, a gente se esquece da efemeridade e faz de conta que é possível controlar o tríplice mistério do stop que acontece sem nenhum consentimento ou previsão. Nos meus olhos e nos dos outros envelheço e vou indo sem saber pra onde, nas fotografias permaneço, talvez um pouco amarelada, machucada pelo tempo, mas por um instante nos guardados até pareço ser quem costumava pensar: o agora vai ficar pra  sempre.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Solar.






Que venha o verão
para tingir de
amarelo as ruas cinzas
para lacrimejar
os olhos 
diante do céu
para tecer
movimentos de
sorrisos abertos
para fazer validar 
todos os compromissos.
Que venha o verão
para incentivar
a noite, o festejo,
os encontros,
para florir
as estampas
dos tecidos
engavetados
para raiar na janela
convites à vida
para colorir
de laranja a pele
atrevida.
Que venha o verão
para as janelas abertas
Que venha o verão
para o gelado na garganta
para o chão escaldante
sob o pé preto
gasto de andanças
para as figuras
na areia com graveto.
Que venha o verão
para reprimir o frio
para excitar as vontades
para exercitar as dobras
Que venha o verão
para me fazer nua
crua
pura
sua
a cada mudança
de estação.

Recados amarelados.



Meu nome é Maria Mole e essa sensibilidade me faz chorar por tudo se não transpasso-a em amor, papel ou câmera. Mas esse texto é algo que todos deveriam fazer: Uma carta. Algo endereçado pra você mesmo, há dez anos atrás, ou para dez anos à frente, o importante é guardar pra depois ler. Sendo minha vez, acho que diria tanto ao passado quanto ao futuro: Minha menina, não se preocupe tanto com as coisas tolas, aprecie os detalhes mais simples, as pessoas e seus cheiros, sinta/seja abrigo e até abandono se preciso for mas, por favor, faça breve o que for ruim. Observe mas saia deste transe, busque despertar suas tantas consciências, estale os olhos pra vida antes que o façam por ti. E de resto, está no teu peito o trajeto, é tudo caminho. Cada erro vai te fazer melhor e mais forte, cada tombo é soma, é ponto de compreensão. Um dia irá entender que as pessoas são responsáveis por si mesmas, então, não te culpa tanto, procura evitar o desgaste físico e emocional, olha pra dentro o tanto que conseguir e florescerá para fora. Uma observação bonita no final é a certeza de que vai chegar uma pessoa linda pra te cuidar, e será o teu ponto de busca maior, vocês aprenderão tanto um com o outro. Essa passagem será tão maravilhosa que será capaz de te fazer ir além. Acredite que a beleza vem de dentro pra fora, nunca deixe que te apaguem a fé, nada te machucará se não for da tua vontade, tudo te acrescentará. Procura usar os ingredientes com sabedoria, entenda que a vida necessita de dosagem pra funcionar corretamente.

Vai sem pressa e logo estará aqui, escrevendo uma carta pra si.

Pretérito quase perfeito




E não tem um dia que, no meio da minha solidão macia, deixe de esperar as ligações noturnas ou iniciativas tuas. Das faltas que sinto, a maior e mais doída era do que costumavas ser. Os modos pelos quais me apaixonei, o conjunto de bobagens e os carinhos já tão mortos. As flores que secaram na espera de cuidados e os meus dias gastos por amar demais. 

Ontem foi um dia cheio de compromissos, tristezas, vazios, saudades e desacostumar. A ansiedade me maltrata a cada hora que se passa, troco os pés pelas mãos nas muitas versões do que eu sou, na convicção de que o que era pra ser já foi. Se me deito em dúvidas, levanto com certezas, uma delas é sobre o remédio do tempo e seus sinais. Nada é mais preciso e precioso do que esperar passar, se convencer disso antes mesmo de arredar as cortinas de manhã. Abrir as janelas e conseguir reparar algo além do próprio caos.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Me ocorreu o seguinte,





Às vezes o solo fértil da tristeza erige a própria mente, sobre o duro córtex, sustentando todas as idéias pedaço a pedaço. Brotando no isolamento, um pé de arte pra gente regar. O tempo e o zelo necessários, vão moldar os ramos como se fossem formas esvaziadas de luz. Um adeus pro que fomos e um aceno pra tristeza condescendente em envelhecer. Ainda que seja angustiante e discretamente educada a 
recordação do que fomos e a aceitação do que estamos nos transformando, é preciso querer viver. Carregar a marca do orgulho como uma relíquia de família, os anos todos são pequenos cuidados pra não deixar mofar. Olha só rapaz, viver é arte no fim das contas. A gente pode pintar o 7 pelo mundo ou estagnar numa tristeza fria, incauta, ferida. Berrando muda por auto aceitação. Sem se escutar. Ter o seu próprio desaparecimento pode até não ser de todo mal. Age assim, feito fenda de luz. Me dá tua mão e não tapa. Só. Deixa passar. Chega de ficar assim tão pedra no meio do caminho, com cubos de amor congelado lá fora. Utopia de inverno nessa cidade escaldante. Toma essa realidade pra si. Como no último gole de Sócrates.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ensurdecer



Minha saudade solta gritos que atravessam paredes, portas e pessoas.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Escorregando no íntimo, é isso que se encontra.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

É o que te peço.



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

E se eu te disser?